No silêncio das frias madrugadas

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Tania Maria Pellin

Tudo passa tão rapidamente, parece que o relógio do tempo está em desacordo com o nosso. A rapidez com que os fatos acontecem, se repetem, e por um momento, parecem querer nos alertar que algo está por vir. Algo que ainda não entendemos, mas que em breve iremos apreciar.

Eventualmente, os dias começam a ficar mais curtos. A noite chega e muitas vezes traz consigo artimanhas. A cidade torna-se vazia, muitos preferem o aconchego do lar. Poucos se aventuram em uma busca constante.

E de repente, quando menos esperamos, o inverno vem chegando. A natureza já dá sinais, mas em meio a tudo, algo inesperado acontece, ao abrirmos a janela, nos deparamos com ipês, rosas em festa. Os mesmos, estão a florir antes do esperado. E somos surpreendidos com tamanha beleza.

E percebemos então, que a Natureza, parece querer nos transmitir conhecimentos, dizendo: “ calma, espere”. Observe, as folhas caem, as plantas sentem a mudança que está por vir. Se preparam para o período de recesso, de ausência de algo a elas essencial.

Veja o exemplo de uma criança diante de uma inesperada situação: “Ao olhar para trás estou vendo aquela frágil garotinha, sonhadora e determinada. Destemida, nunca receou o inesperado. Posso vê-la dentro de muitos agasalhos indo à escola. No gelado frio, lá ia ela, todas as manhãs. No percurso, brincava com as gramas congeladas que deixavam o caminho todo branquinho. Ao pisar nas mesmas, os estalos a faziam dar gargalhadas. Que se passava pela cabeça da garotinha? Para ela, era uma aventura ir para a escola em meio ao frio.

Em determinado momento, ela soprava o hálito quente ao frio ar da manhã, só para perceber a fumacinha. Doces sonhos infantis, brincadeiras sem maldades. Passos de uma garotinha, que se perderam em meio ao tempo e a distância. E estão lá, em algum lugar do passado, adormecidos. ”

Ah, se pudesse voltar, pelo menos por um instante, e ficar a observar. Talvez entenderia melhor o hoje, os sonhos e objetivos que trago comigo e tento alcançar.

Agora, o inverno chega, os dias são outros, os cenários mudaram, mas o frio ele continua o mesmo. Sua presença ainda causa arrepios. Uma sensação de solidão no silêncio das frias madrugadas. Talvez o gélido sereno, tenha esfriado alguns corações sonhadores também. Corações que deixaram de sonhar, fazer planos, traçar metas.

E no silêncio destas noites escuras e frias, adormecemos, na esperança que o novo amanhecer traga consigo a alegria que almejamos.

Lembre-se, após o árduo inverno, com seus ventos gelados, vem a mais linda primavera, com sua beleza em cores e perfumes. E tudo começa outra vez, pois tudo tem o seu tempo determinado.

 

 

 

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