Smartphone, um desafio a ser superado

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Por Tania Maria Pellin

Durante os séculos que nos precederam, as crianças e adolescentes vivenciaram momentos múltiplos, brincaram, correram e saltaram. Enfrentaram desafios que a época lhes proporcionava. Quando não estavam aprendendo leitura, cálculo, oratória ou ciências, brincavam. No Egito brincavam com bonecas, soldadinhos e animais de madeira, bola de gude e pião. Na Grécia jogavam bola feita de bexiga de porco inflado, bonecas, cavalo de madeira com rodas. O Jogo das Cinco Marias é um exemplo. Também conhecida como pipoquinha teve sua origem na Grécia, no princípio eram usados ossos de carneiro, com o tempo, os ossinhos foram substituídos porpedrinhas, sementes até chegar aos saquinhos de tecido recheados com areia, grãos ou sementes. Em Roma, bonecas, aros, jogos de tabuleiro como dama ou dados, par ou ímpar com castanhas ou nozes. Na Idade Média os brinquedos se repetiram.

O Filósofo Inglês John Locke, ensinava que dados e brinquedos com letras poderiam ensinar o alfabeto. Em 1767 John Spilsbury criou o primeiro quebra-cabeças para ensinar Geografia. Na Era Vitoriana 1837-1901, as meninas além das bonecas de porcelana, pulavam cordas e tinham casas de boneca, já os meninos além dos brinquedos já conhecidos tinham trens de madeira.

No final do século XIX Willian Harbut inventou a massa de modelar, surgiram os carros de lata, e no século XX os brinquedos macios como os bichos de pelúcia. Em meados do século passado os brinquedos se tornaram mais baratos e surgiu a famosa Barbie.

Fica um desafio fácil de responder. Nos dias de hoje, qual a brincadeira preferida? E qual ferramenta mais utilizada?

Hoje se trancam num quarto com seu smartphone.

A História é filha do seu tempo, e este já passou, para Santo Agostinho o passado e o futuro não existem. Como não voltamos ao passado e não corremos atrás das brincadeiras antigas, fica o desafio de superar o uso do smartphone.

A questão a ser colocada, é como superar e colocar outro entretenimento em seu lugar.

Receitas de como fazer eu não tenho, espero que você leitor amigo, reflita sobre as brincadeiras de nosso tempo, o qual não está tão distante assim, como no Egito, Grécia ou Roma.

Na atualidade, as crianças, adolescentes e jovens se trancam em um quarto com seu smartphone, esquecendo-se de tudo que há em sua volta. Deixam de viver, para terem momentos virtuais em um jogo onde correm, trabalham, compram, constroem casas, pagam por alguns pertences, mas é um mundo virtual, existente apenas nas Redes.

Neste mundo, com o uso descontrolado das tecnologias há uma desvalorização da razão em favor da técnica, tornando o homem unidimensional onde corpo e mente se mobilizam na defesa deste estado, como já alertava o Filósofo alemão Herbert Marcuse, em sua obra A Ideologia da Sociedade Industrial: o homem unidimensional, 1982.

Nesta unidimensão, na qual crianças e adolescentes estão imersos, há uma sociedade sem oposição, onde tudo está uniformizado, padronizado e onde reina o conformismo, perdeu-se a crítica.

Nesta vida simbólica da qual fala Marcuse, o indivíduo nem precisa mais responder a perguntas, pois para tal já existe um assistente virtual inteligente o ChatGPT, que permite através da Inteligência Artificial conversar com o usuário através de dados preexistentes. Pois é, as infindáveis horas passadas atrás da tela, está transformando você em coisa, está coisificando sua essência em mera aparência.

Percebemos nossos adolescentes deixarem seus livros escolares lá no cantinho do quarto, na mochila, sem ao menos dar uma espiadela no conteúdo visto nas aulas, ocelular é mais atraente, os envolve de maneira que ficamos de mãos atadas ao tentar competir com o mesmo. Os sonhos estão sendo reduzidos a algoritmos, estes passaram a indicar nossas escolhas, caminhos e ideias.

Como superar este desafio?

Vamos continuar refletindo na parte II do texto em tela Smartphone um desafio a ser superado!

Espero-te em breve, de preferência com o joelho ralado e os dedos doendo de tanto jogar Cinco Marias.

Boa leitura

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