Parafusos de geleia

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                            Tania Maria Pellin

Na brilhante definição de Içami Tiba, a geração atual se assemelha a um parafuso de geleia – que se desmancha a um simples não – para eles tudo deve ser permitido, no entanto, a permissividade não gera um estado de poder ou de competência (Içami Tiba. Quem ama educa).

Parece-nos que tal assertiva não combina com o parafuso. Este é uma peça dura, cônica ou cilíndrica, quadrado, redondo ou sextavado, fixa duas superfícies, reduz esforços, transforma um movimento de rotação em torno do eixo num movimento de translação. O que dizer ainda do Parafuso de Arquimedes, usada para transferir líquidos de um lugar mais baixo para um mais elevado – pura genialidade.

De acordo com enunciado acima, temos uma pálida noção da eficiência do parafuso, cuja comparação a um parafuso de geleia é desproporcional.

 Devemos autorizar todas as petições de nossos filhos? É comum ouvir dos pais e avós quando crescer melhora, deixa viver.

Um não com autoridade, faz com que a criança valorize o sim, cresça, melhore, viva, produza e se torne cidadão, cônscio de seus deveres.

Herdamos do colonizador português o modelo de família patriarcal, onde sobressai-se a figura incontestável do pai. Para Gilberto Freyre em Casa Grande e Senzala, o patriarca chefiava a família, tinha poder sobre a mulher, os filhos, os parentes e agregados, onde a tradição conservadora no Brasil sempre se tem sustentado do sadismo do mando, disfarçado em ‘Princípio de Autoridade’ ‘Defesa da Ordem’ (FREYRE, 1994).

Este sadismo da qual fala Freyre, produziu uma geração que andava de lado olhando para chão, com medo da repressão. Como numa Era dos Extremos, trocamos a repressão sádica pela permissividade destrutiva onde condenamos uma geração ao derretimento. Ninguém gosta de geleia quando passa do ponto.

Por que então a comparação da geração atual, óbvio com exceções, a um parafuso de geleia? Simples, porque sendo de geleia não cumpre a finalidade mecânica e universal de um parafuso.

Mas o que nós, pais, educadores podemos fazer para que a geração atual seja consistente, determinante?

Como podemos contribuir para que em nossos lares não tenhamos o tal: “ parafuso de geleia? Difícil tarefa.

Os filhos não vêm acompanhado de uma bula, não há receita, são únicos, por isto são maravilhosos.

Este pequeno foi dividido em duas partes para uma maior reflexão, na segunda parte continuaremos com este instigante e oportuno diálogo.

 

                                                                                                                       Continua…

 

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